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Meu pós-parto

Olá pessoal!

Dia desses estava conversando com uma amiga sobre a experiência da maternidade, o nascimento do bebê e o pós-parto. Sim, o pós-parto… mais exatamente aqueles primeiros 3 longos meses!

E a conclusão que chegamos foi que aquele ditado que diz: “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe” é a pura verdade! E, melhor dizendo, quando nasce um bebê, nasce uma nova pessoa! Aquela mulher de antes, com o nascimento do filho, se transforma completamente! Em todos os sentidos!

A maternidade é linda, completa e plena… mas a nossa adaptação ao bebê, à nova rotina, e às mudanças na vida nem sempre vem recheada só de prazeres. Porém, esse é um assunto que quase não se fala. Parece um segredo!

No meu caso específico, mesmo considerando que durante a gestação inteira li muito sobre tudo o que envolvia o nascimento, a amamentação e as transformações nada se comparou à realidade que vivi. Tudo que lia era muito perfeito, doutrinário… na minha cabeça o parto seria tranquilo, o bebê seria amamentado de forma confortável e o pós-parto só alegria, satisfação, amor e paz! Afinal o maior sonho da vida estaria ali nos meus braços! Mas… as coisas na prática não são e nem foram bem assim…

O meu pós-parto não foi tão perfeito e tampouco tranquilo… tem muito mais coisa envolvida que apenas o prazer de ter o seu bebê nos braços. Ninguém nunca me contou que a recuperação do parto era tão dolorida,  que eu teria muito medo em cuidar de um bebê sozinha, que a amamentação não era tão simples como parecia ser e que sentiria uma ansiedade descomunal e, por conta disso, passaria por depressão.  Sim, passei por tudo isso! Mas sobrevivi e sei que todas nós mães sobrevivemos… Mas quando estamos ali, no centro do furacão não conseguimos sequer supor sobreviver a tudo aquilo. Estamos no limite do limite! Um limiar bem sutil da quase loucura!

Só que a sociedade nos impõe a obrigação de, mesmo beirando à loucura, transparecer felicidade suprema! As pessoas não te deixam sequer recuperar o fôlego do momento do parto! Você sai da sala especial e vai para o quarto e já de cara precisa estar feliz, plena e sorridente… afinal seu filho nasceu! Você precisa estar bem humorada e sempre pronta a receber visitas intermináveis, muitas vezes em horários inusitados como em horários das refeições ou descanso.

Sim, descanso… durante um bom tempo esqueci o verdadeiro significado dessa doce, reparável e necessária palavra. Isso porque, desde o exato momento em que a Isabella nasceu, deixei de saber o que era dormir uma noite inteira. O que era fechar os olhos e me entregar aos sonhos… aliás, sonho maternal é ter certeza que o bebê está bem alimentado, dormindo adequadamente, sem refluxo, sem cólica e calmo! Nada mais! Você se anula completamente em prol daquele serzinho tão indefeso, delicado e DEPENDENTE.

E as refeições? Geralmente feitas em segundos, pois em seguida o bebê precisa da sua atenção. E o banho? Ah, pra quê… durante um bom tempo é mais prudente dormir e descansar que tomar banho… rs

E mesmo vivendo quase como um zumbi a sociedade nos impõe transparecer felicidade plena!

Como disse a vocês lá no início quando a Isabella nasceu eu sequer sabia o que viria pela frente… nunca ninguém me deu um “chacoalhão” e me disse: “Silvia, sem querer te assustar, mas só pra te deixar ciente do que vem pela frente, durante um tempo, as coisas serão assim e assado”…  como tudo seria verdadeiramente… Daí penso: será que as pessoas que vivem ao meu lado não quiseram me alertar ou por não querer estragar a felicidade da gestação e a realização de um sonho, ou por preferir omitir mesmo e ver como me viraria como mãe? Espero que a primeira opção tenha sido a razão… 🙂

Bom, passei por dias, semanas, meses numa angustia suprema, sentindo dores e muito medo de não conseguir ser mãe. Sabe aquele momento que você olha para o bebê e pensa (já em prantos) será que vou ser capaz? Lágrimas e muitas lágrimas e soluços escondidos fizeram parte de muitos meses da minha vida. Queria acertar, queria dar conta, queria ver minha filha forte e feliz, mas ao mesmo tempo parecia que não tinha forças para tudo aquilo… parecia ser muito para mim… estava exausta física e emocionalmente.

Muitas vezes dava o banho na Isabella e quando ia trocá-la via aquele “serzinho” tão frágil, indefeso, tão magrinha (sim, no início ela perdeu bastante peso) e tão dependente de mim… e eu ali tão cansada, esgotada, sentindo-me no limite do limite ao ponto de explodir! Ela chorava de um lado e eu do outro…

Outra surpresa do pós-parto foi a amamentação. Como eu já contei a vocês num post do passado a amamentação para mim não foi algo tão intuitivo como eu imaginava, como via nos filmes ou lia em alguns livros… sofri muito e até aprender levei um certo tempinho… nisso a Isabella perdia peso, chorava… e eu no desespero! Parecia que não nos entendíamos! E, ainda, tinha gente que chegava e dizia: será que seu leite não é pouco pra ela, será que não é fraco? Melhor complementar! E eu, naquela luta em amamentar… em dar certo! Eu queria muito aquilo e faria qualquer coisa para conseguir! Não queria mais ouvir aquilo! Nossa… desesperador, angustiante!! Mas deu certo! Amamentei a Isabella até 1 ano e 6 meses!!! Vitória!

Mas, além de toda dor do pós-parto, da dificuldade da amamentação… tinha ainda o cansaço… eu já não sabia mais nem quem eu era! O dia e a noite era a mesma coisa pra mim… Era um verdadeiro zumbi perambulando pela casa. O relógio só servia para controlar o tempo das mamadas… nada mais!

Isso sem contar as visitas que vinham para dar palpites que na verdade eu nem dava muita atenção… sabe aquilo de entrar por um ouvido e sair pelo outro? Foi assim que fiz por um tempo…  Não por maldade, claro, mas porque eu já não estava muito bem e precisava focar minhas energias!

E, ainda lembrando um pouco mais daquele período, fiquei um bom tempo sem sair de casa… era do pediatra para casa, de casa para o pediatra… nada mais! Afinal o bebê sem as vacinas e tão indefeso não deveria ir para a rua, né? E foram alguns bons longos dias assim… Agora imagina uma pessoa acostumada a se arrumar e sair para trabalhar todos os dias, de um dia para o outro presa em casa… quase enlouqueci! rs

Confesso a vocês que para mim os intermináveis 3 primeiros meses foram os mais marcantes no pós-parto…  pareciam uma eternidade… lembro-me de ter conversado com uma tia e dito: “nossa, porque ninguém nunca me contou que seria tão difícil“… e ela me respondeu: “isso faz parte do aprendizado“… E que aprendizado!

Hoje, quase dois anos após o parto da Isabella posso dizer com convicção às mamães de primeira viagem: fiquem firme, POIS TUDO PASSA… as dores, os traumas, a depressão, o medo, a ansiedade… tudo melhora pouco a pouco. E, acredite se quiser, você terá saudades de tudo isso! rs

E aquela premissa lá do início onde dizia que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe se materializa.  Aliás complemento dizendo que quando nasce um bebê e nasce também uma nova mulher, agora mãe… nasce uma mulher com um amor tão intenso, tão forte, tão grande que supera todos os percalços, obstáculos, dores, ansiedades e medos. É um amor tão descomunal que te faz guerreira, obstinada e pronta a lutar contra o mundo se for e superar todo e qualquer caos em torno da sua maternidade.

Cada progresso do bebê, cada sorriso, cada descoberta, cada passo, cada abraço, cada beijo e cada vez que ouço a voz dela dizendo “mamãe”, compensa TUDO! Tudo mesmo!!! É amor pra mais de metro!! É a maior realização da vida de uma mulher! De uma pessoa! Não existe nada mais compensador na vida, mais marcante, mais profundo, mais real! Tudo o que conquistamos na vida uma hora acaba… mas o amor de um filho… É ETERNO!

Então, chego ao final deste post e digo com todo o meu coração que vale a pena! Vale a pena ser mãe, vale a pena enfrentar tudo… É o maior amor que possa existir! É a maior alegria de uma vida! É como andar de bicicleta pela primeira vez: como é difícil, você não tem equilíbrio, cai, rala o joelho, o cotovelo, bate a cabeça… sofre, mas está ali, ansiosa para dar conta, em dar as primeiras pedaladas… depois são só conquistas!

E para as mamães de primeira viagem deixarei 10 dicas que aprendi ao longo do meu pós-parto e que gostaria de dividir com vocês:

  • Antes de qualquer decisão: encontre um pediatra que te transfira confiança! Diga tudo o que sente e anda acontecendo. Ele saberá te ajudar como ninguém!
  • Dê colo e aconchego ao seu bebê o quanto for da sua vontade… a vida extrauterina é totalmente nova para ele… ele conhece sua voz e o seu cheiro. E o seu calor, seu colinho é o melhor lugar do universo para ele. Acalma! Não o deixe chorando… o choro é a única forma que ele conhece de se expressar e reclamar de algo que não está bom. Aprenda a entender o choro.
  • Busque o máximo de informação que puder sobre a amamentação… infelizmente não é tão intuitivo quanto parece… procure ajuda profissional se achar conveniente. E seja paciente e persistente, pois fará toda a diferença para o seu bebê! Mas também saiba que a amamentação nem sempre é possível para todas as mamães, cada pessoa possui um limite e não se sinta menos por isso. Você não será menos mãe se não puder amamentar… conheça e obedeça seus limites.
  • Não dizem que as mulheres são mais intuitivas que os homens? Use isso a seu favor com o bebê. Ouça seu coração sempre! E lembre-se que seja qual for a opinião alheia: o filho é SEU!
  • Se achar conveniente e não for causar problemas familiares restrinja as visitas. Muitas vezes isso faz diferença naquele momento mais crítico do pós-parto e as pessoas entenderão.
  • Lembre-se sempre de uma coisa: você é a melhor mãe que existe para o seu bebê. E… Tudo passa!
  • Cuide-se com amor!
  • Você sentirá muita saudade da sua vida anterior com nascimento do bebê e não se culpe por isso… mas te digo uma coisa: você mudou para sempre e compreender e se ajustar a isso leva um tempinho… mas verá que é a escolha mais feliz e completa da vida!
  • Pode ser que o casamento fique um pouco atordoado/balançado, principalmente se não houver apoio, compreensão e MUITA ajuda. E nessa fase a união e o reconhecimento deverá prevalecer!
  • Tenha em mente que pai não tem que simplesmente ajudar, pai tem que estar ali PRONTO E FIRME SEMPRE! Pai não é coadjuvante… o papel do pai é tão principal quanto a mãe! Delegue e divida as responsabilidades!

 

Como disse: TUDO PASSA! 😉

E essa é mais uma das minhas experiências que venho dividir com vocês. E quem quiser venha dividir sua experiência com o pós-parto e, com certeza, ajudar outras mamães!

Um beijo enorme e fiquem com Deus!

pos parto

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7 Comments

  • Reply Carolina fernandes 17 de dezembro de 2015 at 21:34

    Amiga, muito bom o post!
    Contarei um
    Pouco sobre os meus dois post-parto:
    Pode-se dizer que tive 2 experiencias, totalmente opositas, con a Lorena, nao tive nada, mas nada mesmo de dor, foi parto normal, e eu parecía que ñ tinha tido filho, sentava perfeitamente no segundo díade vida dela!!!?difícil sim, foi a amamentação….nossa, como estava!!
    Agora do Enzo, meu Deus, foi traumatizante, Muito, muito difícil…. E a amamentação, muito mais fácil, o Enzo parecía que tinha nas ido, sabendo como ti ha q fazer para mamar!!
    Nao tive depressão no post parto, mas o q tive e continuo muitas vezes e com essa ansiedade, essa preocupacao, em ser una boa mãe, que eu consiga fazer o melhor para meus filhos!!?

    • Reply Silvia 21 de dezembro de 2015 at 10:56

      Amiga… como sempre muito obrigada pela sua presença aqui… pode ter certeza que seus comentários sempre ajudam outras mamães! Olha só como foi com vc: dois partos e pós-parto tão diferentes! Nem parece a mesma pessoa! Obrigada por divivir sua experiência e contribuir com o blog. Um beijo enorme

  • Reply Lia Leme Thaumaturgo 22 de janeiro de 2016 at 14:22

    Lindo Sil !!!!! Fianalmente consegui ler com calma …
    Em muitos momentos ao ler seu post é possível relembrar exatamente as mesmas sensações … ” Não é pq estou acordada, que eu estou raciocinado” … Rsrsrsrsrs …
    Sabe … Tenho pensado como as Mães, Tias, deveriam contar sobre esta fase para seus filhos e sobrinhos … Eu vou contar tudinho para Julinha … não para reclamar … Mas para criar um vínculo maior de gratidão entre ela e a essa Benção chamada Maternidade !!!
    Tenho pensando … Como pode uma mãe dispensar tanto tento para criar,alimentar um filho para depois ele crescer, ser agressivo com outros adultos na sociedade por exemplo … Será que ele têm noção do quanto ele foi cuidado para conseguir chegar até a fase adulta ?!!!! Quero que Jullinha tenha está real compreensão …
    Como você bem disse quando nos tornamos mães, mudamos muito … E creio como você … para melhor também … Passamos a pensar e valorizar mais e mais o que realmente é precisos na Vida …
    A Vida é Bela, muito mais Bela com nossos amores … Beijos.

    • Reply Silvia 23 de fevereiro de 2016 at 14:48

      Oi, Lia! Obrigada por seu comentário sincero e carinhoso. Sim, a maternidade traz uma mudança enorme pra gente… Mudamos nossa rotina e até nosso modo de ver a vida! Eu, como vc bem pontuou, muitas vezes tbm parei pra pensar exatamente isso que disse: “como pode um ser crescer e “esquecer”, ou mesmo não dar o real valor aos pais…”. Triste! Mas acredito muito que a educação que os pais dão é que faz o caráter de um filho no futuro! Somos nós os verdadeiros responsáveis pela índole que terá nosso filho. E assim como vc tbm quero sempre contar tudo pra Isabella e ensinar cada passo de como ser uma pessoa de boas qualidades. Obrigada por dividir sua experiência aqui. Um beijo enorme pra vc e a princesa Julinha!

  • Reply Lia Leme Thaumaturgo 22 de janeiro de 2016 at 15:13

    Lindo Sil !!!
    Em muitos momentos é possível total identificação … “Não é pq estou acordada, que estou raciocinando” …
    Rsrsrsrsrs …
    Tenho pensando como as Mães e as Tias podiam contar mais para seus filhos, sobrinhos sobre esta fase … De quando eles chegaram para alegrarem e agitarem nossas vidas rsrsrsrsrs … Os “longos” intermináveis e inesquecíveis três primeiros meses … Concordo com você sobre as informações que muitas vezes não são nada “claras” …
    Pretendo contar tudinho para Julinha, não para reclamar … Mas para ela ter real compreensão e assim criar um vínculo de gratidão ainda maior e bem precioso.
    Apesar de algumas dificuldades praticamente inevitáveis … a Vida é Bela, muito mais Bela mesmo … depois que conhecemos os nosso amores … Beijos !!!

  • Reply Maly Motta 16 de setembro de 2016 at 01:37

    Sílvia,

    Para quem ainda não chegou lá, faz muito bem ler sobre os seus alertas e conforta saber que, com todo o cansaço, vale muito a pena ser mãe. Sua escrita é doce. Seu blog é lindo! Parabéns.

    • Reply Silvia 6 de outubro de 2016 at 16:57

      Oi, Maly!Seja muito bem vinda ao blog!! Muito obrigada pelo carinho… espero sempre contribuir dividindo um pouco da minha experiência. Beijo enorme

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