Diário, Minha Vida

Filho único

Olá pessoal!

Hoje o post é bem delicado, porém oportuno para a fase que vivo hoje.

Vocês já pararam para pensar sobre as principais perguntas que geralmente as pessoas nos fazem durante a vida adulta? Pois é, se você demora para arrumar um namorado, questionam; se você tem um, perguntam quando vão se casar; quando se casam a pergunta frequente é quando virá o baby e quando você tem o seu bebê, não se cansam de perguntar quando dará um irmãozinho… é incrível, mas é a realidade: uma cobrança atrás da outra.

E a pergunta que não quer calar ultimamente na minha vida é (adivinhem): não vai dar um irmãozinho(a) para a Isabella? 😉

Assim, diante dessa insistente indagação resolvi escrever esse post.

Bom, antes de mais nada é importante deixar claro que a decisão em se ter filhos, seja um, dois, três ou quantos forem é algo muito íntimo e cada casal tem seus motivos para  optarem em não tê-los ou tê-los em sua quantidade “x” ou “y”. E acho que todos deveriam respeitar essa decisão.

Aqui em casa a decisão foi tomada de forma bem tranquila, consciente e com muito AMOR. Sim, com amor e explico porque: quando engravidei da Isabella muita coisa mudou dentro de mim. Com toda a experiência da gravidez junto nasceu um amor tão intenso, tão grande que se materializou com o nascimento dela e preencheu todo o meu ser! Tornei-me uma pessoa completa e com um amor que só tem crescido dentro de mim, do meu lar. Sentimos com convicção que ela veio pra nos preencher, dar sentido, cor, alegria, paz e serenidade. A Isabella realmente mudou nossas vidas… é muito amor envolvido… um amor puro, genuíno…!

E considerando tudo isso, todo esse amor que sentimos por ela, em momento algum sentimos a necessidade de termos outro filho. Ela já nos faz pais completos, uma família construída! E esse amor foi a nossa maior razão por optar tê-la como nossa filha única. Uma princesa reinando absoluta!

Mas brincadeiras à parte, como toda decisão mais radical sempre gera uma polêmica, claro, não passamos despercebidos nisso e nossa decisão, sim, foi questionada em algumas rodas de conversa, o que nos fez refletir, afinal o “conceito” de filho único, por mais que muitos relutem, geralmente não é bem visto e na maioria das vezes está associado à solidão, proteção excessiva e até má educação… é ou não!?

E não para por aí. O filho “único” por  possuir um estigma, uma má fama já tão encrustada faz com que muitas pessoas quando ouvem que um casal optou por ter um único filho já logo proferem adjetivos horríveis sem qualquer embasamento no que estão dizendo: pense bem “seu filho será malcriado”; “egoísta”; “rebelde”, “sozinho”, “antissocial”… e assim por diante.

Só que na minha humilde razão explico que não é bem assim. Acredito que pessoas que pensam desta  maneira são aquelas de mente fechada ou que nunca conviveram com crianças “filhos únicos”, ou que apenas generalizam aquilo que virou um “dito popular”, um estereótipo.

Em primeiro lugar o fato de ser filho único não deve nunca ser considerado elemento que por si só dite como será a índole e o futuro de uma criança. Na minha opinião esse tipo de pensamento é retrógrado e insensato.

E uma das minhas maiores convicções com relação a isso é  que a educação que será dada, a forma com que será criada, a responsabilidade que lhe será imposta e cobrada, a vivência  e as experiências da vida é que juntos moldarão o caráter e o perfil de uma criança.

Além do mais a tal introspecção, a dependência dos pais, a super proteção, as malcriações e o chamado egoísmo não são características apenas dos filhos únicos… Tenho certeza que todas as pessoas já se depararam com alguma outra na vida e que em algum momento demonstrou introspecção, depedência ou que de alguma maneira não agiu de forma digna… e não era filho único!

Quem aqui nunca viu um irmão brigar com o outro querendo o brinquedo alheio e de forma alguma com intenção de partilhar? Egoísmo? Ué, mas essa característica não deveria ser apenas dos filhos “únicos”? Aí está!

Na minha vida pessoal conheço várias pessoas que são filhos únicos e que são pessoas extraordinárias, responsáveis, extrovertidas, companheiras, bem resolvidas emocionalmente e de um coração enorme! Conseguem ser desprendidas do mundo material e emocional sem qualquer problema! E também já vi filhos com irmãos egoístas, malcriados, dependentes dos pais e amigos, sem caráter, enfim… O que quero dizer é que não se pode generalizar, criar um “padrão”, vocês me entendem?

Claro que ter um irmão traz uma certa segurança… eu mesma sinto uma segurança enorme em saber que tenho meu irmão pra contar, pra dividir… meu irmão sempre foi meu amigo incondicional. Porém, conheço muitos irmãos que quase não se falam, quase não se veem, que não se respeitam, que não compartilham de uma vida comum e, pior, na infância mais “lutaram” do que brincaram… mais disputaram espaço e atenção dos pais que outra coisa!

Conseguem perceber o quanto criar uma imagem modelo de “filho único” problemático ou de “irmãos unidos” perfeitos é perigoso?

Por isso volto a repetir: o cárater e o perfil de uma pessoa depende de muitos outros fatores vivenciados e assimilados durante a vida do que o simples fato de “ser filho único”.

Um outro fator que também contribuiu para nossa decisão em ter a Isabella como filha única é a chance de podermos ser pais mais próximos e participativos na vida dela, amplificando vivências e experiências, sem ter que dividir, além, é claro, de conseguirmos oferecer a ela melhores oportunidades de um modo geral.

E, por falar em oportunidades, sabemos que o mundo de hoje, com toda a modernidade que lhe é peculiar trouxe com isso uma série de implicações e algumas delas é que vivemos num mundo de forte concorrência, de perigos, de escassez e por aí vai… ou seja, ter vários filhos não é mais tão fácil, tão simples… não se pode mais considerar aquele ditado de “onde come um, comem dois”… muito pelo contrário! O mundo de hoje não é como no passado… nos primórdios, lá no início de tudo ter vários filhos era a regra. O ser humano precisava se multiplicar para garantir a sobrevivência! Era a manutenção da espécie em jogo! E quando entramos na época agrária ter muitos filhos era essencial para se ter mão de obra para ajudar nas lavouras, através da força de trabalho… a quantidade de filhos ditava ou não o sucesso de uma família.

Só que isso mudou…  o mundo moderno “custa caro”, principalmente quando se deseja oferecer a um filho uma educação de qualidade e um bem estar melhor de um modo geral. E aqui em casa somos muito realistas com essa condição.

E pra terminar um outro fator que também pesou na nossa decisão foi a necessidade de me sentir feliz. Sim, porque para ser uma boa mãe, percebi que seria necessário ser uma mãe feliz e para ser uma mãe feliz, primeiro precisaria ser uma pessoa feliz, realizada… E é aí que está, porque eu não seria completamente feliz apenas com a maternidade… a maternidade me completou, me fez uma pessoa totalmente diferente do passado (farei um post sobre isso em breve), amo ser mãe, amo cuidar e educar a Isabella, amo estar com ela… ela é o meu melhor, o meu lado mais puro, mais forte, mais confiante, mais íntegro, mais leal, transborda amor, porém, existe uma Silvia profissional dentro de mim… uma Silvia que, embora ame a maternidade e não se vê mais sem esse papel, também tem seu lado profissional… Daí ter um novo bebê agora demandaria mais interrupções e o tempo passa depressa demais… se é que me entendem…

E esse foi, queridos leitores, um pouco sobre nossa decisão pelo “filho único”… Seremos aqui em casa um trio e como pais faremos de tudo para que a Isabella seja sempre uma pessoa muito feliz, íntegra, amiga, leal, carinhosa e acima de tudo que tenha dentro de si o respeito e a honestidade como fundamentos! Afinal é esse o nosso objetivo de vida!

Um beijo enorme e fiquem com Deus! 🙂

trio novo (2)

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11 Comments

  • Reply Dani Akiba 31 de maio de 2016 at 00:32

    Oi, Sil, adorei! Concordo plenamente! Essa é uma decisão pessoal (do casal) que envolve muita coisa: não só a vida dos pais, mas principalmente, dos filhos… Hj em dia, na correria do dia-a-dia, acho importante refletir MUITO sobre esse tipo de escolha e, principalmente, as consequências desta para o filho ou filhos.
    Por sinal, tô para comentar e elogiar o seu blog há algum tempo, mas finalmente consegui! Sempre tão caprichosa, com informações legais e declarações sinceras!
    Apesar de estar um pouco longe, sempre acompanho o blog e assim, fico sabendo um pouquinho como vcs estão e, principalmente, da querida Bellinha! Sempre pensando nela…
    Muita saudade…
    Beijão

    • Reply Silvia 1 de junho de 2016 at 00:49

      Oi, Dani!!! Muito obrigada pelo carinho e presença aqui no blog. Os comentários e a troca de experiência são os meus incentivadores a continuar sempre por aqui, mesmo em meio a minha correria. Sim, a decisão por ter ou não filhos e a sua quantidade deve ser muito, muito pensada… vivemos num mundo tão diferente da época dos nossos pais, avós, bisavós… tudo acontece muito rápido… e, infelizmente, não somos onipresentes e nem eternos. Por isso pensar no futuro do filho acaba sendo tão essencial… primordial hoje.
      Muitas saudades tbm!
      Beijo enorme nosso pra vc

  • Reply Sara 31 de maio de 2016 at 11:26

    Oi!
    Bom ler novos posts!
    Realmente a decisão de ter outro filho não é fácil e também não é nada legal ter de ficar lidando com a pressão alheia!
    Aqui em casa por enquanto também estou inclinada a ter somente o Mateus, por motivos semelhantes aos seus e muitos outros. A vinda dele trouxe um baque muito grande na minha vida, que de repente algum dia a gente senta e conversa.
    Mas de fato, o caráter de uma criança não depende do fato de ser filho único ou não, mas do exemplo que recebem dos pais! Sempre acreditei nisso e continuo acreditando. Obviamente que a essência de cada criança já nasce com ela, vide irmãos que são criados da mesma forma e são totalmente diferentes entre si. Mas como a criança e futuro adulto vai lidar com isso, depende do molde que os responsáveis dão a ele. O que me preocupa é que vai chegar uma idade em que a influência dos amigos passará a pesar mais e dependendo desses “amigos” o seu molde pode ficar um tanto quanto torto. Mais uma vez, a firmeza da criança vai depender da firmeza que os responsáveis passarem pra ela. Vejo muito isso na educação que tive na minha vida. Na minha família, somos em três irmãos, muito diferentes entre si, mas todos com firmeza de caráter, mesmo passando por más influências (seja na escola, na rua, na mídia e até hoje no trabalho) e não tenho dúvidas de que isso se deve a dedicação dos meus pais, que sempre priorizaram nossa educação, em transmitir valores familiares, ética e honestidade.
    Confesso que o mundo como está hoje, em que tudo é livre e permitido, onde não existem regras, onde o que era certo virou antiquado, onde o errado virou normal é um dos fatores que me fazem questionar é muito se devo ter outro filho ou não. Nadar o tempo todo contra essa maré não é nada fácil. Só espero conseguir transmitir ao meu filho a mesma firmeza que meus pais transmitiram pra mim e se, pra isso, ele for o único, não vejo problema algum.
    Beijos e saudades

    • Reply Silvia 1 de junho de 2016 at 01:05

      Oi, Sarinha!!! Obrigada por sua presença e experiência por aqui. São vocês que me incentivam a sempre voltar a escrever e partilhar um pouco de tudo que passei e passo com a maternidade.
      Pois é, a decisão em se ter filhos e a quantidade deles é algo muito difícil. Isso porque o mundo anda muito difícil, amedrontador mesmo. Não vivemos mais a época dos nossos pais, avós, bisavós onde o pensamento era: “onde come um, comem 2″… Muito pelo contrário.
      E isso que você falou do caráter é bem assim mesmo… é exatamente o que eu penso! Tudo vai depender de nós! O futuro dos nossos filhos dependerá do que ensinaremos e moldaremos no caráter deles. E se tiverem a firmeza de caráter e forem pessoas de bem tenho certeza que as más influências não afetarão em nada no futuro deles.
      Para isso oro sempre a Deus para que Ele nos guie e ilumine na criação e educação desses pimpolhos!
      Um beijo enorme a vcs
      Saudades tbm!!!

  • Reply Karina 31 de maio de 2016 at 20:18

    Oi Sílvia!
    Concordo com vc! O fato de ser filho único não torna a criança mimada, mal criada, sem limites. Isso tudo é consequência de falta de atenção, carinho e educação dos pais, que nos dias de hoje, querem terceirizar toda essa parte afetiva na vida da criança. É isso que faz com que se tornem pessoas egotistas, individualistas demais e que não estão nem aí com o próximo.
    Temos que criar pessoas do bem independente se forem filho único ou não .
    Bjo!

  • Reply Silvia 1 de junho de 2016 at 01:32

    Oi, Ka!!!
    Obrigada por sua presença e por sempre estar aqui compartilhando experiências. Isso é o que me motiva a sempre voltar!
    É bem isso mesmo… é muito fácil ter dois, três, quatro filhos e deixa-los nas mãos de terceiros para criar e educar… penso como vc em todos os sentidos!
    Essa “terceirização” da criação e educação é um tema que tenho muita vontade de compartilhar aqui… quem sabe logo vem um post “desabafo”…rs
    Obrigada mais uma vez!
    Um beijo carinhoso

  • Reply Roberta 21 de junho de 2016 at 00:47

    Que post lindo❣ Vcs colocaram uma princesa linda no mundo e darão a melhor educação, tenho certeza e o mundo de hoje precisa disso, de pessoas educadas! Educação, respeito e humildade!!!

    • Reply Silvia 21 de junho de 2016 at 15:53

      Obrigada pelo carinho Beta!!! Seja sempre bem vinda! LoveU

  • Reply Tânia Neiva 26 de dezembro de 2016 at 12:34

    Você está certíssima. Eu também quero ficar só com minha filha.
    Sou a caçula de sete irmãos. Na verdade, só tenho afinidade com. 3 deles é nós falamos com frequência. Os outros só me causaram traumas, porque sempre quiseram ter mais autoridade sobre os outros, disputar espaço. Ter irmãos não garante que você terá amigos.
    Um grande abraço! ????

    • Reply Silvia 6 de fevereiro de 2017 at 15:21

      É, Tânia, tbm conheço muitas famílias com vários irmãos e na maioria o que percebo é bem isso que vc disse: muita disputa! Até mesmo depois de velhos! Acredito muito que se os pais não estiverem mesmo dispostos e tiverem condições de ensinar o partilhar, o amor conjunto, a integração e, acima de tudo, amar todos os filhos de forma igualitária, dificilmente veremos uma família de irmãos unidos “para sempre”, se é me entende. E isso sem contar que cada pessoa tem o seu caráter… difícil. Agradeço muito seu comentário… só vem a engrandecer!! Um beijo bem grande

  • Reply Tânia Neiva 26 de dezembro de 2016 at 12:37

    Você está certíssima. Eu também quero ficar só com minha filha.
    Sou a caçula de sete irmãos. Na verdade, só tenho afinidade com. 3 deles é nós falamos com frequência. Os outros só me causaram traumas, porque sempre quiseram ter mais autoridade sobre os outros, disputar espaço. Ter irmãos não garante que você terá amigos.
    Um grande abraço! ????

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