Diário, Minha Vida

DOAR-SE

Olá pessoal! Hoje quero compartilhar um pouco da minha experiência mais profunda: ser mãe!

Ontem a Isabella completou 10 meses! Como o tempo passa rápido! E nesse tempo sempre me questionei sobre cada fase, cada momento, cada mudança, não só minha como dela também. E, nesse tempo todo, a frase de Barbosa Filho onde descreve o que é ser mãe me intrigou: “Ser Mãe é assumir de Deus o dom da criação, da doação e do amor incondicional. Ser mãe é encarnar a divindade na Terra”.

Bom, sobre o primeiro dom acho que foi fácil assumir. Desde o início, quando descobri estar grávida, entendi o dom da criação como sendo algo além do gerar uma vida, mas também cuidar para que esta vida pudesse se desenvolver e crescer da melhor maneira possível! E, da mesma forma que sempre fiz tudo em minha vida, agora grávida e responsável por uma vida dentro de mim, não seria diferente… queria fazer o meu melhor ainda mais perfeito!

Quis cuidar minuciosamente do meu corpo e do meu emocional, afinal de contas tudo influenciaria no desenvolvimento da minha filha. Então, passei a ser mais cuidadosa com minha alimentação: não comia mais qualquer coisa e comecei a ler muito sobre a alimentação durante a gestação e os benefícios de certos alimentos para o desenvolvimento do feto; passei a ter mais responsabilidade com o meu corpo, afinal não queria engordar além do necessário e queria estar resistente para durante e após o parto; e ainda tentei ao máximo cuidar do meu estado emocional: tentei fugir de discussões desnecessárias e momentos aflitivos que poderiam ser contornados, mas como nem tudo são “flores” e “brisas” passei por alguns “perrengues” durante os 9 meses… já ouviram falar das pedras no meio do caminho? De novo elas por aqui… sim, elas existem e por mais que nos desviemos algumas  são inevitáveis… daí o importante foi o jogo de cintura e pensar na minha filha…  Minha prioridade já era a pequena Isabella! E assim foram os 9 meses de gestação… dentro de mim já me sentia mãe e acreditava estar preparadíssima para o que viria… Doce engano! Eu tinha esquecido da continuação da frase “ser mãe é assumir o dom da …. DOAÇÃO (…)”.

Até o dia do nascimento da Isabella fui uma pessoa… e com o nascimento me tornei outra! Como comentei linhas atrás muitas coisas mudaram desde o dia que soube da minha gravidez, mas a maior mudança aconteceu a partir do momento que a tive em meus braços! Tudo mudou!

Vocês não tem noção da mudança que tive que enfrentar seja emocional e fisicamente… Sabe aquela frase conhecida: “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe”? Isso é pura verdade!!! E vocês entenderão o por quê! O meu parto teve que ser por meio da cesárea, em razão da minha saúde em particular… queria muito que fosse normal, mas não tive o privilégio, enfim… então, não a tive em meus braços imediatamente após o seu nascimento, ela foi para os cuidados iniciais e eu fui para a sala de recuperação… já me separaram dela aí e o sofrimento, então, começou.

Bom, depois da recuperação me levaram para o quarto… estava ali sozinha! E fiquei sozinha por um longo tempo… parecia interminável! Depois chegou meu marido e cai de exaustão. Mas meu sono durou apenas algumas poucas horinhas. Na madrugada mesmo a minha princesa deu seu ar da graça para o nosso primeiro encontro pessoal! Como fiquei emocionada! Era o meu sonho finalmente em meus braços! E sem qualquer cerimônia a enfermeira iniciou a sequência das tentativas de amamentação… mãe de primeira viagem, falta de orientação correta, cansaço, dor, estress… e deu no que deu… sofrimento! Sim, a pega não foi correta, a orientação foi precária e aquela “lenda” de que doer é normal me fez aguentar calada! Só fui “aprender” a maneira correta de amamentar quando a Isabella já estava com 1 semana de vida! Imagina como eu estava! Além de muito machucada e literalmente sensibilizada por ver minha filha perder peso, estava no limite da exaustão! Não dormia desde aquele dia que a enfermeira chegou no quarto da maternidade com meu pacotinho de gente!

Sim, se você pensa que o dia acaba e o bebê vai para a cama e dorme a noite inteira calmamente e você só vai acordar no dia seguinte com ele sorrindo está muito enganada! O bebê durante os primeiros meses de vida acorda muitas vezes durante a noite seja para ser alimentado, seja para receber colo e acalento. Afinal, os bebês antes de nascerem estavam num ambiente que recebiam alimento o tempo todo, ouviam nossa voz e a batida do nosso coração constantemente e permaneciam quentinhos e protegidos! Daí que não se pode querer que eles nasçam, deixem de ter tudo isso da noite para o dia e aceitem as condições que o mundo lhes impõem sem chorar, né?! O bebê levará um tempo para se adaptar às novas condições de vida. E cada bebê tem o seu tempo! Não são iguais! Só que essa parte da história ninguém me contou! Nunca ninguém chegou para mim e disse: olha, ser mãe é doar-se acima de tudo e qualquer coisa, é ultrapassar seus próprios limites da dor e do cansaço em prol de um serzindo que dependerá de você para tudo!  A falta de tempo para um simples cochilo poderá fazer de você um “zumbi” por alguns meses e por longos anos sua vida girará em torno daquele pacotinho que lhe fora entregue no hospital.

E, na minha cabeça, a maternidade era algo mágico e lindo, longe de sofrer tanto! rs E digo que aprendo diariamente a ser mãe, a doar-me integralmente, desde aquele primeiro dia na maternidade e que me vieram entregar aquela menininha pra ser minha pra sempre… aprendi e aprendo a cada dia a assumir e colocar em prática o dom da DOAÇÃO… seja quando, mesmo sofrendo muito, encarei a amamentação como forma a dar o meu melhor por minha filha; quando passei a não dormir mais que duas horas seguidas durante uma noite, e em muitas passei em claro; quando não tinha tempo sequer para tomar um banho de verdade, sabe, daqueles que lavam a alma (rs), sem ouvir a Isabella chorando e querendo o meu colinho; quando almoçar ou jantar é coisa pra se fazer em minutos, muitas vezes em pé e já fazendo alguma outra coisa ao mesmo tempo; quando sair para passear ou resolver algum assunto é sempre um momento cronometrado entre uma refeição e outra, entre a hora do sono e da amamentação; quando comprar algo a ela é prioridade ao invés de investir em mim mesma; quando resolvi priorizar seu desenvolvimento e educação e optei por deixar minha carreira em “stand by”… e por aí vai!

E confirmo que nunca nenhuma mulher saberá o que é ser mãe enquanto não se submeter a ser realmente uma e colocar em prática esse dom em especial !

Mas e o dom do AMOR INCONDICIONAL? Pensaram que eu tivesse esquecido, né? Não, porque esse é o principal e é o dom que nos permite passar por tudo e ainda nos sentirmos completamente felizes, realizadas e pedindo à Deus todas as noites para nos conceder muitos e muitos anos de vida para nos doarmos ainda mais! 🙂

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2 Comments

  • Reply Carolina 25 de novembro de 2014 at 20:39

    Amiga,
    A cada semana me emociono mais com os seus posts!!
    Lindo, lindo demais!!
    Cada trecho me identifico tanto, mas tanto!
    Como e gratificante esse dom que Deus nos deu!!
    Parabens amiga! De coracao!

    • Reply silyamada 26 de novembro de 2014 at 00:21

      Querida amiga, obrigada por acompanhar tudo e ser sempre tão carinhosa!
      Ser verdadeiramente mãe é o maior privilégio da vida!
      Um beijo grande

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