Maternidade, Minha Dica, Minha Vida

Cooperação, compreensão, obrigação?

Oi, pessoal!

Hoje quero falar um pouco sobre cooperação, compreensão, conscientização, obrigação, ajuda e disponibilidade…

Nossa, hoje a Silvia resolveu “pegar pesado”… sim, resolvi e vocês entenderão as razões!

Sabe aquele ditado que costumamos ouvir sempre: “pai não tem que ajudar, ele tem a mesma obrigação da mãe?” Pois é… esse não é um ditado qualquer, mas um ditado que todos os pais deveriam prestar atenção e ter mais discernimento sobre ele.

A verdade é que muitos pais se escondem atrás do “machismo”, do “não consigo ou não sei fazer”, do “tenho medo”, ou “a criança não vem comigo”, pior, “isso é coisa de mãe e não de pai”, “eu tenho que trabalhar e estou muito cansado” e por aí vai…  e isso sempre sob o argumento de que as mães devem assumir a maternidade com unhas, dentes, alma, coração, saúde e fôlego..  e, ainda, que ela, por ser a mãe, precisa lidar com TODAS as tarefas inerentes aos filhos como se aquilo fosse seu “carma” natural, corriqueiro e obrigatório!!

Mas não é bem assim… nós mães somos humanas… temos nossos limites e, sim, nos sobrecarregamos de forma fenomenal para darmos conta de tudo!

Eu aqui em casa, particularmente, sempre fui daquela que acordou nas madrugadas sozinha para cuidar da Isabella, tanto no início da vida dela, quanto até hoje quando ela está doentinha ou acorda no meio da noite com medo ou vontade de fazer xixi… então imaginem… são mais de 3 anos seguidos sem dormir direito!! Existem dias que acordo achando que nem sei quem sou… e tenho mil tarefas no dia seguinte para serem cumpridas… mas assumi essa tarefa e pronto.

Porém, a pergunta é: sou obrigada a isso sozinha? Claro que não! Mas pra hoje assumi essa tarefa e não reclamo… o que quero dizer é que, muito embora muitas mães assumam sozinhas a criação e cuidados dos seus filhos, não significa que a tarefa não seja exaustiva e sobrecarregue de maneira extraordinária e com isso a deixe em seu limite físico e mental!

Particularmente sou muito feliz no meu papel de mãe. Sou completamente realizada!! Como nunca fui… amo ser mãe, cuidar de todos os detalhes da vida da Isabella, mas como pessoa, como todo ser humano, também fico exausta, estressada, sobrecarregada e extremamente fragilizada! Sabe aquilo de dizer: estou no meu limite? Dá pra entender? E tenho certeza que muitas outras mães se sentem assim… por mais que a tarefa materna seja prazerosa!

Daí vem a pergunta: é preciso pedir “POR FAVOR” ao pai para assumir as tarefas corriqueiras do dia a dia dos filhos? Fazer e dar a comida, trocar o filho, olhar o material da escola, trocar a fralda, levar ao banheiro, limpar o ouvido, dar o banho, escovar os dentes, saber o horário do remédio, verificar a lição de casa, ler o livro indicado pela escola, parar para sentar, brincar e ensinar o filho…  saber a rotina da criança?

Bom, vamos por partes: claro que o termo “por favor” deve morar em qualquer relacionamento. É educação, é primordial, é essencial em qualquer tratamento humano! Porém, o que quero expressar aqui é que o fato de ser pai não carece de ajustes com pedidos tão pontuais, entendem?

Ora, nenhum pai pede à sua esposa que “por favor, querida, poderia dar banho na nossa filha”, ou “querida, por favor, você pode dar o jantar para o bebê”? A mãe vai lá e faz! Deixa de comer, deixa de tomar banho, deixa de dormir, mas está ali tentando dar conta de todo o recado, sem nunca ter ouvido um “por favor”! E sabe por que??  Porque ela tem bola de cristal?? Não!! Mas, porque ela assume, vai lá, corre atrás, resolve e faz acontecer! Se vira, literalmente, nos 30! E faz com gosto e prazer, claro! Mas, de novo, repito, não quer dizer que não se canse com todas as obrigações, conseguem entender?

E é aí que quero chegar: é preciso a mulher chegar ao ponto do stress infinito, do medicamento controlado, das sessões de terapia, do sentimento de relacionamento abalado, e em alguns casos, chegando ao seu término para, então, o marido se conscientizar e se disponibilizar como pai? Como marido?

Não estou querendo ser chata, ou impositiva… muito pelo contrário! Mas tão somente mostrar que, muito embora as mães se multipliquem em mil mulheres 24h por dia, elas são tão humanas quanto seus maridos-pais. Não é porque uma mulher se disponibiliza prazerosamente em ser mãe em jornada integral que ela não esteja ultrapassando seus próprios limites, chegando ao estress físico e mental para dar conta de todo o recado! É muito importante ao marido estar sensível em identificar isso e se disponibilizar em vestir a roupa de super-pai e também assumir suas obrigações, tanto quanto as mães.

A obrigação com os filhos deve ser recíproca! Porém, se não for possível, porque sabemos que alguns homens possuem, sim, restrições que vão muito além do querer ajudar (infelizmente – e não vamos entrar nesse mérito se foi erro da forma que foi criado, se é machista de carteirinha, ou… deixa pra lá), o fato é que é necessário que exista ao menos um equilíbrio! Que o pai reconheça com carinho e atenção a carga da mulher e se disponibilize em atenuar as obrigações maternas, assumindo obrigações a ele, então, alcançáveis e possíveis ao seu modo.

É importante lembrar que da mesma forma que o marido sai para trabalhar, a mulher também tem suas tarefas e muitas trabalham até além, seja no mundo corporativo, seja no mundo familiar! E ter um filho é, sim, assumir o papel completo e as obrigações tanto pela mãe, quanto pelo pai.

Outra coisa importante de se dizer é que quando uma mulher assume sozinha as tarefas com um filho ela se sobrecarrega de tal forma que o próprio relacionamento tende a se esvair… o estress é tão grande, a cobrança é tão pesada, a rotina tão desgastante que o que sobra é só cansaço, daí qualquer probleminha gera um turbilhão, um tsunami no relacionamento. Fala-se o que não deveria, escuta-se o que não gostaria.

E só para exemplificar a razão que me fez escrever este post é que não são poucos os relatos de amigas, conhecidas e seguidoras sobre esse assunto. Os relatos são inúmeros e tomo a liberdade de descrever algumas frases que mais li e ouvi nos últimos tempos, vejam só:

“queria que meu marido entendesse o meu cansaço e que o meu desgaste é durante 24h por dia”!

– “eu queria que meu marido fosse mais proativo”!

– “eu queria que meu marido fosse mais presente como pai e marido companheiro”.

– “queria que meu marido assumisse mais as tarefas com minhas filhas e eu não tivesse que viver pedindo por favor para tudo”.

– “eu queria que meu marido me visse mais como mulher e não só como mãe da minha filha”

– “queria que meu marido me ajudasse sem eu pedir. Se eu tenho bola de cristal para fazer tudo, porque ele não pode ter?”

– “eu gostaria que meu marido tivesse mais bom senso e carinho comigo”.

– “queria que meu marido parasse de olhar tanto para o próprio umbigo e enxergasse um pouco mais as necessidades da própria família”.

– “queria que meu marido fosse eu, um dia só, para ver o que é bom pra tosse! Kkkk”

– “queria que ele ajudasse mais nas madrugadas… parece que estou sem dormir há um século”.

– “eu queria que meu marido voltasse a ser meu marido… que me visse como mulher!”

– “queria que meu marido fosse mais compreensivo com meu cansaço… por mais que eu não trabalhe fora, tudo fica nas minhas costas com relação aos meus 2 filhos”.

– “me sinto sozinha… correndo contra a correnteza… me sinto sem forças para tudo”.

Assim, fica aqui a dica para vocês papais olharem mais para suas esposas-mães guerreiras. Elas são tão humanas quanto vocês… sentem cansaço, dor, solidão, stress, privações, e mesmo assim tentam estar firmes e fortes na condução da família. Não deixem de reconhecer ou tomar a iniciativa de assumir as suas obrigações. Não permita que ela decida sucumbir no relacionamento. Se ela dá o seu máximo, tente dar o seu também!

E, mamães, cooperem também com seus maridos criticando menos quando eles fazem ou tentam fazer algo que não seja do “seu jeito”… um ajudando o outro fica muito mais fácil e gostoso!

Lembrem-se: logo as crianças vão crescer… seguirão seus próprios destinos e caminhos e, novamente, sobrarão vocês dois… SÓ VOCÊS DOIS!  Já pararam pra pensar nisso! 😉

Um beijo grande e fiquem com Deus

 

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2 Comments

  • Reply Sara 27 de março de 2017 at 18:42

    Foi ótimo você ter tocado neste assunto! Também ouço muito das minhas amigas o quando o casamento se abalou após o nascimentos dos filhos. A harmonia do lugar as brigas e desentendimentos frequentes. Muito em parte por causa disso…. a mãe se sentindo sozinha na difícil tarefa de criar os filhos! Não é nada fácil ter um filho e assumir todas as responsabilidades que vem junto! É extremamente cansativo, seja fisicamente, mas principalmente do ponto de vista psicológico!!!
    Os pais precisam assumir a tarefa junto! Se não sabem, podem aprender! Afinal, quem aqui nasceu sabendo dar banho, trocar a fralda ou fazer a papinha??? Concordo que tem certos momentos que realmente a presença da mãe faz muita diferença. Já perdi a conta de quantas vezes o Mateus pediu por mim e não adiantou o marido ir no lugar. Existe sim essa conexão que a mãe cria com o filho, mas para todas as demais tarefas, os pais estão sim habilitados a cumprir, bastando ter boa vontade!
    Aqui em casa, graças a Deus, o Marcos sempre me ajudou muito, em todas as tarefas!!! E eu tb não fiquei reclamando ou colocando defeito por ele fazer do jeito dele. Se a criança está bem, limpa e alimentada, então está tudo perfeito!!
    Sempre vejo muitos relatos também com relação aos demais membros da família! E, infelizmente, percebo que falta muito bom senso dos pais e também dos demais…. é muito importante que a família como um todo saiba respeitar esse pequeno núcleo familiar em formação, porque muitas das brigas também surgem porque os avós querem assumir um papel além do papel de avós, a cunhada a mesma coisa e assim vai…

    • Reply Silvia 28 de março de 2017 at 13:22

      É Sarinha… não é fácil! Nós quando nos tornamos mães não temos a noção exata e perfeita de tudo que envolve o nascimento do filho. A estrutura fica muito abalada… tudo, aos poucos, vai tomando forma, mas até isso acontecer leva um tempo e nesse tempo se não houver diálogo muita coisa pode acontecer!E vc disse uma coisa muito importante sobre a interferência familiar… seja por excesso, seja pela falta! E na maioria das vezes quem é a culpada? Nós! kkkk e o que acontece? O relacionamento marido e mulher mais uma vez fica no foco do furacão! Difícil lidar com tantos acontecimentos, decisões, cansaço, stress, falta de compreensão e, ainda, ouvir que somos culpadas de tudo! Não vale isso, né? Mais uma vez obrigada por sua presença aqui e por acrescentar com um pouco da sua experiência! Um beijo grande pra vcs

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