Maternidade, Minha Dica

Criação com apego

Olá, pessoal! Vamos conversar um pouquinho sobre “criação com apego”?

Mas, Silvia, o que é isso?

 

Bom, pra quem ainda nunca ouviu falar a criação com apego (Attachment Parenting) é o termo dado a um conjunto de atitudes que ajudam os pais a criar vínculos seguros e saudáveis com seus filhos, atendendo de forma amorosa e respeitadora as necessidades do bebê. Com essas atitudes o bebê aprende lições para uma vida inteira como amor, compaixão e empatia. Garanto a vocês que ao praticar a criação com apego aprendemos a enxergar, reconhecer e entender os comportamentos e sinais que nossos filhos nos dão constantemente. Comecei a estudar sobre isso ainda grávida e me apaixonei pela forma de criar, educar e estabelecer vínculos com o bebê. Decidi que criaria a Isabella seguindo este modelo de pensamento.

Claro que não considero como regras fechadas e rígidas que sigo a “ferro e fogo”, nem considero um manual ou guia de como ser a melhor mãe do mundo, mas tomei como alicerce para a construção de como ser e lidar com a criação da minha filha. Aliás, temos que considerar que cada bebê, cada criança possui a sua particularidade e sua individualidade. Se tomasse essa forma de criação como uma regra ou um guia a ser seguido rigidamente, por óbvio sairia frustrada da minha escolha, afinal querer que um filho corresponda às nossas expectativas de comportamento é preparar um ser humano para a frustração e a baixa auto-estima. Muita atenção nisso! Já li e, acreditem, já ouvi alguns comentários de pessoas que desconhecendo sobre essa forma de “criação” indagou-me que estaria “mimando” minha filha e não impondo ou ensinando os limites a ela.

Ora, na minha humilde opinião, impor limites ou fazer conhecer limites não necessariamente deve ser ensinado de forma autoritária, marcada pelo medo ou repressão, ou ainda, através de recompensas ou subornos mas, sim, de forma carinhosa, consciente, empática e, acima de tudo, respeitosa! A “criação com apego” pressupõe seguir os instintos e deixar de lado palpites infundados, lendas e crendices. Mimar seria não ensinar, não educar e “passar a mão na cabecinha dela” mesmo sabendo estar errada. E não é essa a “filosofia” que sigo na educação da Isabella, muito pelo contrário! E explico por que e como: a “criação com apego” é a forma mais amorosa e acolhedora de se criar um filho.

Como sempre acreditei que não se ensina um bebê ou uma criança dizendo: “não faça isso, porque eu já disse que isso não pode” e ponto final, mas esclarecendo e ensinando, através de um diálogo respeitoso e principalmente com carinho: “não faça isso, porque se fizer poderá machucar a você ou um amiguinho, ou por isso ou por aquilo” é que quando tive contato com esse tipo de criação me identifiquei tanto.

Acredito muito no diálogo, no respeito e no amor como forma de educar ou, ainda, de como lidar com o próximo! Um dos pontos fundamentais é entender que o bebê é um serzinho totalmente “puro, novo, totalmente deletado”, possui um hardware completamente livre, limpo e estéril (que exagero, mas é verdade). Você será o responsável por moldar essa criatura divina, por educar e formar o seu caráter! São os pais os responsáveis por educar os seus filhos… ou você ainda acha que isso é dever da escola? Enfim… fica a dica para um post futuro. Saber dialogar com seu filho, desde o nascimento, é fundamental!

O diálogo é a forma mais coerente e respeitosa que se pode ter a ensinar uma criança. Desde o primeiro dia de vida da Isabella converso com ela como se estivesse conversando com qualquer pessoa que tenha carinho e respeito. Sem privações! Você pensa que os bebês ou crianças não entendem? Entendem tudo! E desde muito pequenos captam tudo ao seu redor como se fossem imãs atraindo todas as informações e experiências e transformando tudo em aprendizado. Sempre que vou fazer qualquer coisa diante da Isabella penso: ela está me observando e se quero que seja educada de uma forma ou de outra devo ser o seu exemplo! Olha a responsabilidade, gente! Bom, mas voltando ao assunto da criação com apego, quero dividir aqui com vocês sobre os princípios que baseiam essa forma de pensamento, esse tipo de criação ou educação, vamos dizer assim.

Existem 8 princípios que norteiam essa prática e os descreverei bem resumidamente a seguir:

  1. Preparando para a gestação, nascimento e criação: leia e estude filosofias de como criar um filho – não siga a música “deixe a vida me levar” esperando pelo nascimento e daí pensar como quer criar o seu filho. Prepare-se minimamente para o que virá! Conheça as formas de parto existente, avalie os benefícios do parto natural se sua saúde permitir. Estude e converse com seu obstetra sobre a amamentação – isso é fundamental, se eu tivesse conversado sobre isso desde o início não teria sofrido tanto. Pesquise sobre a rotina de um recém-nascido. E o que considero de suma importância: defina expectativas realistas sobre a chegada do bebê. Não fantasie, pois a vida muda bastante e se você estiver o mais preparada possível curtirá cada momento com muito mais intensidade e, diante das dificuldades que existem, estará apta a contornar as situações com muito mais maturidade!
  2. Alimentando com amor e respeito: não se trata do ato puro, simples e mecânico de amamentar, mas, sim, um ato consciente do momento da refeição e união com a família (no caso a mãe ali representada) que já se inicia. A amamentação é o início do vínculo materno entre mãe e filho. A amamentação satisfaz as necessidades nutricionais e, inclusive, emocionais do bebê. Amamentar em livre demanda, ou seja, em todos os momentos que o bebê desejar é respeitar o seu tempo. Amamentar é dar conforto e segurança ao bebê. Mesmo quando, por algum motivo real, a mãe não puder amamentar é importante para o vínculo mãe e filho que o ato de alimentar o bebê seja reservado exclusivamente a ela. E, a partir do momento que o bebê passar a ter contato com os demais alimentos, siga os sinais da criança sobre o quanto e o que comer, deixe-o desenvolver seu paladar a seu modo e tempo. Não insista em dar quantidade maior do que o bebê deseja. Não existe regra para a quantidade, o seu bebê lhe mostrará o quanto deseja comer. Lembre-se que tudo é novo a ele e você é a responsável por iniciar e apresentar os sabores ao seu filho. Seja consciente!
  3. Respondendo com sensibilidade: é importante entender o ritmo interno e rotinas naturais do bebê e com isso se ajeitar, na medida do possível, ao redor disso. Os bebês necessitam constantemente de contato físico e por isso se sentem tão bem e seguros no conforto do colo. Quando o bebê é deixado chorando por muito tempo os níveis de stress e liberação de hormônios não benéficos são alarmantes! Lembro-me de um episódio que aconteceu quando a Isabella tinha semanas de vida. Eu exausta deitada no sofá da sala e ela no colo do pai, porém ela não parava de chorar. Meu marido, então, com aquele aprendizado antigo de que teria que deixar no carrinho chorando para daí se acostumar com o lugar e quem sabe aquietar-se colocou-a ali e a deixou. Por respeito ao pensamento dele e por experiência mesmo deixei que assim agisse. Meu coração disparou com o choro mais triste e assustador que poderia ouvir e como uma águia a peguei em meu colo e, acreditem, o seu choro cessou… acalmou-se e dormiu quietinha. Com isso meu marido também percebeu que agir daquela forma não era o mais sensato e correto. O apoio é essencial! E daí, daquele dia em diante nunca mais a deixei chorar onde e com quem quer que fosse.  Se pensarmos o choro é a forma mais primitiva de comunicação do bebê e não se deve nunca ignorá-lo. Daí vem a pergunta: e durante um momento de “raiva” do bebê ou mesmo “birra”, o que fazer ? Bom, esse princípio nos ensina que durante uma explosão de raiva ou “birra” o melhor a se fazer é tentar confortá-lo ao invés de punir. Dialogar e entender a razão da explosão é essencial! Outra coisa é demonstrar interesse e participar das atividades do seu filho. Muitas vezes os filhos choram ou reclamam porque os pais mesmo ali presentes na verdade estão mais ausentes do que nunca! A coisa mais triste de se ver, hoje em dia, é o pai ou a mãe que não tem tempo para seus filhos. Sentam ao lado da criança ou com a TV ligada ou, pior, com o celular na mão e a internet funcionando. É de se repensar a intenção dessas pessoas em ter um filho. Filho pressupõe tempo para criar, educar e, também, brincar!
  4. Usando o contato afetivo: já ouviram falar do uso do Sling? Pois até perto do nascimento da Isabella não tinha encontrado um para comprar e foi uma grande amiga que me deu o primeiro Sling que carreguei a Isabella. Trata-se de um tecido que amarramos ao corpo e o bebê fica bem pertinho da gente. E ela sempre amou andar ali coladinha comigo (rs). É um item essencial para se criar um contato físico afetivo. Você sabia que o contato afetivo estimula hormônios do crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor e, ainda, ajuda a regular a temperatura do corpo e os batimentos cardíacos? Pois é ! Além disso, os bebês que recebem o contato afetivo tendem a ganhar peso mais rápido, chorar menos e serem mais calmos. As massagens são excelentes para esse tipo de contato. A proximidade física muitas vezes é um remédio para muitos males! Vc já experimentou sentir o abraço forte de alguém quando está triste, ansioso ou preocupado? Experimente!
  5. Garantindo um sono seguro físico e emocionalmente: agora vem aquela perguntinha básica que todos gostam de nos fazer “seu bebê dorme a noite inteira?”. Primeiro que os bebês não dormem a noite inteira por questão de sobrevivência, afinal precisam comer e, além disso, necessitam sentirem-se amados para terem segurança durante a noite. Existem bebês que dormem a noite inteira, mas isso não é regra. Além do mais os bebês passam por fases e acordam ocasionalmente durante a noite seja devido a pesadelos, dentição, algum mal estar ou até mesmo saltos de crescimento. Colocar o bebê para dormir e achar que ele permanecerá ali quietinho a noite inteira é esperar demais desse serzinho. Pior, ainda, é deixar o bebezinho chorando sozinho no berço imaginando que se cansará e aprenderá a dormir a noite inteira ali. Bebês não tem o cérebro tão desenvolvido a serem cruéis com seus pais a ponto de chorarem somente com o fim de manipula-los. Bebês choram porque precisam dos seus pais. É um pedido de socorro! Deixar o bebê chorando por horas é negligenciar amor e atenção, fazendo com que ele passe a sentir que o sono noturno não é nada prazeroso e agradável, além de ser um momento de ansiedade e medo! A “criação com apego” pressupõe e indica a cama compartilhada entre bebê e seus pais, porém se você não deseja assim agir, uma dica é ter o bebê nos primeiros meses ao seu lado com o auxílio de um “moisés” (bercinho portátil) – isso foi o que fiz, assim, no momento em que o seu bebezinho chorar por sua presença você estará ali ao lado dele e poderá acalenta-lo, acalma-lo e  demonstrar amor, atenção, carinho e segurança… isso fará toda a diferença!
  6. Provendo cuidado consistente e amoroso: os bebês possuem uma necessidade intensa da presença física de um cuidador amável, consistente e receptível. Uma forma de se ter isso é através do cuidado e das interações amorosas diárias e que são a base para a construção de laços fortes entre o bebê e o cuidador, ou seja, um apego saudável. Se por “n” fatores o cuidador não puder ser a mãe ou o pai o ideal é que seja alguém que não apenas o ame e esteja presente todos os dias, mas também que tenha uma ligação com esse bebê, a avó presente e ativa na vida da criança, por exemplo. Uma coisa importante nesse item é que caso haja a necessidade dos pais se separarem do filho (por motivo de trabalho, viagem, ou até mesmo a separação do casal) que, então, os pais tenham um tempo exclusivo dedicado a se “reconectar” com seu filho. Um dado importante que pesquisei sobre a separação, por motivo de trabalho que seja, é que “bebês ficam prontos para a separação em idades diferentes e pesquisas mostram que separações superiores a duas noites seguidas podem ser muito difíceis para crianças com menos de 3 anos de idade. Mas daí você conclui: não ficarei nenhuma noite ausente, sairei para trabalhar e voltarei ao final do dia para estar com o bebê… hum, e quem disse que você chegará antes do seu bebê adormecer? E se no dia seguinte você pegar um longo congestionamento e novamente chegar após o seu filho já ter dormido? Já se passaram duas noites sem ele ter a sua presença, repararam? A vida é corrida e cheia de imprevistos. Por isso é tão importante nos mantermos organizados e atentos. Outro dado importante que pesquisei é que “a permanência em creches ou escolinhas por períodos superiores a 20 horas por semana pode ser muito estressante e prejudicial à saúde do bebê. Até, então, é muito importante que a criança esteja em casa e sob os cuidados da mãe (geralmente) ou um cuidador escolhido”.
  7. Praticando a disciplina positiva: esse princípio traz à tona a forma como nós fomos criados e, na maioria das vezes, a criação foi baseada no autoritarismo e na forma punitiva e agressiva. Assim, tomados pela vontade de mudar isso, somos levados a refletir sobre outras maneiras de se criar nossos filhos com mais amor e empatia. Afinal, quem vocês acham que tem mais chance de se tornar um pequeno “tiraninho” ou até mesmo uma criança com sérios problemas emocionais: quem sempre teve atenção, presença, carinho, diálogo e amor ou quem sempre foi tratado com autoritarismo, negação, ausência e descaso? Sabe aquele pensamento “trate os outros como gostaria de ser tratado?” Pois é, é bem isso! É a disciplina positiva! Impor o respeito por meio do medo e da humilhação é criar uma criança com grandes chances de crescer com um comportamento antissocial. Educar com base na violência  pode criar problemas de ordem emocional e comportamental, onde a criança crescerá acreditando que a violência é a única maneira de resolver problemas. Esse princípio envolve a técnica da prevenção, da distração e da substituição. O importante é ajudar a criança a explorar o mundo através dos seus olhos e sempre demonstrando empatia enquanto ela experimenta as consequências naturais dos seus atos. Lembre-se que as crianças aprendem através dos exemplos e você é o exemplo para seu filho, então esforçar-se para oferecer um modelo com ações e relacionamentos positivos é seu dever! O diálogo é ferramenta para todo o sempre. Ofereça escolhas, mas ensine as consequências com amor e respeito.
  8. Mantendo o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar: esse princípio é o mais esquecido, isso porque às vezes estamos tão envolvidos na criação dos filhos, imersos em nossos problemas e dificuldades, além do cansaço e exaustão que esquecemos do essencial: o equilíbrio! Resumindo: esquecemos de nós mesmos! Quando há o equilíbrio todos os membros da família são capazes de ser emocionalmente compreensíveis uns com os outros. Se a mãe é a principal cuidadora da criança, cabe ao pai apoiá-la e estar presente em todos os momentos para ajuda-la e ser presente. A relação marido e mulher é importantíssima e deve permanecer sólida para que haja equilíbrio dentro do lar. A mulher sendo a principal cuidadora muitas vezes encontra-se vivendo no limite do cansaço, do stress, da responsabilidade e se não houver cooperação, dedicação e amor do marido, muitas vezes um casamento nessa fase acaba entrando num momento bem complicado! Geralmente a mulher que fica em casa cuidando dos filhos não é sequer reconhecida, ouvida ou vista como deveria.Toda atenção é pouca! É importante lembrar que as necessidades do filho deve ser uma prioridade, mas ele é apenas uma parte daquilo que envolve a família como um todo, incluindo, assim, as necessidades dos pais, seja como indivíduos ou como casal. Então o importante é aproveitar o momento presente e aceitar o fato de que ter um filho muda a vida. E muda muito! Ter tempo para si é muito importante. Delegue tarefas. Não queira ser e fazer tudo sozinha, você não será reconhecida como mártir. Descanse nas horas vagas e aprenda a pedir ajuda. Saia de casa e cultive amizades, principalmente com aquelas que estejam passando por situações semelhantes. Trocar ideias e experiências ajuda muito! E lembre-se sempre que: “tudo isso é uma fase e uma hora vai passar!” (rs)

É isso aí pessoal! Fica dica! Desejo um ótimo final de dia a todos e fiquem com Deus!

Até a próxima. 🙂

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2 Comments

  • Reply Carolina 17 de dezembro de 2014 at 21:16

    Como sempre, otima a materia minha amiga!!
    Eu nunca tinha ouvido falar nessa forma de educar!!
    Muito interessante!
    Sabe, em resumo: amor, dedicao, carinho e a base de tudo!!!
    Um beijo!
    Obrigado por ajudar a tantas e futuras mamães!!

  • Reply silyamada 18 de dezembro de 2014 at 00:30

    Verdade, amiga! O amor é a base de tudo! Obrigada por sempre estar presente aqui e também dividir suas experiências. Um beijo grande

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